segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Ausência assimilada


Drummond sempre me encantou pela maneira de falar de amor. Aliás, palavras de amor sempre me soam muito bem. E lá vai Neruda, Shakespeare e Pessoa pra confirmar isso. Mas quero abrir minha admiração para uma outra temática destilada por Drummond. A ausência. O vazio que não se vê e só se sente aos poucos, em pequenas porções diárias. E é tanto que um dia a gente aprende a conviver com ele, como se fosse um companheiro, um camarada. Quando isso acontece, pode ser que a solidão que nos visita tenha um gosto de morango.

AUSÊNCIA

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres.
Porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
(Carlos Drummond de Andrade)

3 comentários:

  1. Poucas coisas me acrescentam tanto quanto a ausência assimilada.

    (mas me preencheria da mesma forma também assimilar a tua presença aqui)

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  2. Tua presença é muito melhor assimilada do que tua ausência , posto que tua ausência é um estar em mim desconfortável. Te amo!

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  3. Começo a compreender que pode ser um dom hereditário, uma herança genética.
    Com uma dose incrível de sensibilidade.
    Só tu mesmo, Amanda. E de ausência eu estou especialista.

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