segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Ausência assimilada


Drummond sempre me encantou pela maneira de falar de amor. Aliás, palavras de amor sempre me soam muito bem. E lá vai Neruda, Shakespeare e Pessoa pra confirmar isso. Mas quero abrir minha admiração para uma outra temática destilada por Drummond. A ausência. O vazio que não se vê e só se sente aos poucos, em pequenas porções diárias. E é tanto que um dia a gente aprende a conviver com ele, como se fosse um companheiro, um camarada. Quando isso acontece, pode ser que a solidão que nos visita tenha um gosto de morango.

AUSÊNCIA

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres.
Porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
(Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Repórter

Dizem que hoje é dia do repórter. Legal. Até merecido, sem falsa modéstia. Um dia de homenagem a uma dura profissão.
Convenhamos: só o repórter conhece a dureza de interpretar um olhar, captar o que não é dito, lidar com pessoas e problemas a todo instante, fazer de um fato uma notícia. É duro preservar a isenção diante do horror ou da vitória, escolher as palavras certas. E, ainda, fazer com que as pessoas se interessem e PENSEM sobre o assunto.
Ufa...

E quer saber mais? Tudo isso é extremamente apaixonante.

Melhor do que eu, ele, Gabriel, pra falar sobre o assunto. Eis uma das frases mais incríveis de um dos mais incríveis escritores:

"Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte".
Gabriel García Marquez

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Busca desenfreada. Vamos?

Muito ouço sobre insatisfação. E ouço em tom de crítica. Se diz que todos são insatisfeitos, ninguém está preenchido com aquilo que tem, aquilo que é. E dizem mais: que a busca infinita é doentia.
Balela. Eu diria o contrário: viver concordando com o que já existe é chato. O legal é viver para buscar o que não há. Como o cientista que quer descobrir uma nova cura; o artista que não se esgota em uma obra de arte. Se Quintana disse que o caminho seria triste sem as estrelas, acredite. Chega de moralismo pró-comodismo, que embora rime não é uma boa ideia.
Ideia boa mesmo é ter o sonho como missão. Mesmo que o sonho não seja pessoal, mas universal. E esse, sim, é ainda mais reluzente.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

No dicionário, escuro: obscuro, oculto, misterioso.
Pra mim, grandioso, transcendente. Aquilo que não se vê, mas se sabe.

Quem sabe eu saiba alguma coisa.